Já passava dos 50 minutos do segundo tempo quando Rony, quase da intermediária direita, arriscou um cruzamento longo para a área. A bola encontrou a cabeça de Breno Lopes, que se tornaria o herói improvável do título da Libertadores do Palmeiras sobre o Santos no fim de janeiro, no Maracanã. No comando do adversário estava Cuca, agora no Atlético-MG, que ressente até hoje os erros que adiaram seu sonho de ser bicampeão da América. Hoje, às 21h30, no Mineirão, ambos terão a chance de reescrever a história: o herói que virou talismã reencontra o técnico que busca redenção.
Palmeiras e Atlético-MG empataram em 0 a 0 no jogo de ida, no Allianz Parque, e deixaram a semifinal em aberto. Quem vencer, vai à decisão. Um empate com gols classifica os paulistas. Se o placar não sair do zero, a disputa será nos pênaltis.
Desde aquela final no Maracanã, Cuca e Breno Lopes seguiram caminhos opostos. O atacante não se firmou como titular, mas segue como uma opção, quase um talismã, do português Abel Ferreira no Palmeiras. Já o treinador trocou Santos por Belo Horizonte para montar aquela que é apontada por muitos como a melhor equipe do Brasil atualmente.
São Marcos pode ter falhado naquela final, mas a imagem do pentacampeão do mundo como um dos maiores ídolos palmeirenses segue intocada entre os torcedores. Depois de encerrar a carreira inteiramente feita no Verdão, ganhou busto, chegou a ser embaixador do clube e hoje é empresário, ainda com fortíssima ligação à equipe. Foto: Instagram/Marcos R S ReisMulti-campeão pelo clube, o lateral-direito paraguaio Arce disputou a Copa do Mundo de 2002 e se aposentou quatro anos depois. Lenda do futebol de seu país, hoje é técnico do Cerro Porteño, clube pelo qual conquistou dois nacionais. Foto: Divulgação/Cerro PorteñoO lateral-esquerdo Júnior esteve no elenco da seleção brasileira pentacampeã do mundo em 2002 e ainda viria a ganhar Libertadores e Mundial pelo rival São Paulo. Aposentou-se em 2010 e, desde então, tem participado de eventos. Nas horas vagas, se dedica à pescaria, que descreve como o 'segundo esporte favorito' em seu perfil no Instagram. Foto: Instagram/Júnior SouzaApós a passagem pelo Palmeiras, o zagueiro Roque Júnior fez carreira em clubes Europeus, com passagens por Milan e Bayer Leverkusen, além de ter sido pentacampeão mundial em 2002 com a Seleção Brasileira. Voltou ao Palmeiras em 2008 e aposentou-se dois anos depois. Após deixar os gramados, arriscou-se na carreira de técnico por XV de Piracicaba e Ituano, além de ter atuado como diretor de futebol de Ferroviária e Paraná. Foto: Twitter/Roque JúniorPolêmico e sem papas na língua, Junior Baiano passou ? e venceu ? por grandes clubes do futebol brasileiro, com Vasco e Flamengo, além de ter sido vice-campeão mundial com a Seleção Brasileira, em 1998. O zagueiro rodou por clubes de menor expressão antes de encerrar a carreira no futebol norte-americano, em 2009. Fora dos gramados, tentou a carreira de técnico por Santa Helena e Itumbiara, sem muito sucesso. Foto: Reprodução/Youtube TV Torcedores
Nome icônico do futebol brasileiro, Cesar Sampaio teve carreira vitoriosa, jogando pelos quatro grandes de São Paulo e disputando Copa do Mundo em 1998. Após a aposentadoria, em 2004, atuou como comentarista, dirigente e empresário. Hoje, é auxiliar técnico da Seleção Brasileira. Foto: Kin Saito/Divulgação/CBFVolante de força e imposição física revelado pelo Verdão, Galeano teve carreira movimentada e passou por outros 14 clubes, como Botafogo e Juventude, antes de encerrar a carreira, em 2019. Depois de pendurar as chuteiras, foi dirigente do Ituano, coordenador técnico do Palmeiras e auxiliar de Antônio Carlos Zago no Juventude, em 2016. Foto: Arthur Dallegrave / E.C.JuventudeTetracampeão mundial em 94, Zinho venceu a Libertadores de 1999 em sua segunda passagem pelo Verdão. Rodou por grandes clubes brasileiros até se aposentar em 2007. Fora dos gramados, foi dirigente (Flamengo e Santos), auxiliar técnico de Jorginho (Vasco) e hoje é comentarista de TV. Foto: Twitter/ZinhoUm dos meias mais talentosos dos anos 2000, o multi-vitorioso Alex (esquerda) teve grandes passagens por outros clubes brasileiros, com destaque para o Cruzeiro. Virou lenda no Fenerbache, da Turquia, e aposentou-se no Coritiba, em 2014. Foi comentarista de TV e anunciou, em 2020, que iniciaria a carreira de técnico. Foto: Twitter/Alex de SouzaContratado como reforço de peso para a disputa do Mundial, o colombiano Asprilla ficou até 2000 no Palmeiras, antes de partir para o Fluminense. Um dos grandes nomes da história da seleção colombiana, disputou as copas de 1994 e 1998, rodou pelo futebol sul-americano e aposentou-se em 2004. Voltou ao futebol brevemente, por clubes de menor expressão, até 2009. Hoje, é empresário e lançou sua própria linha de preservativos. Foto: Twitter/Faustino Asprilla
O "Diabo Loiro" Paulo Nunes foi parte de grandes ataques do futebol brasileiro nos anos 90. Viveu grande fase por Grêmio e Palmeiras no fim daquela década e manteve rivalidade eletrizante com o Corinthians, clube no qual jogaria em 2021, sob protestos da torcida. Depois de aposentado, participou de reality show. Hoje, é comentarista do Grupo Globo. Foto: Reprodução/TVArtilheiro dos gols importantes pelo Verdão, Oseás foi um dos principais atacantes do futebol brasileiro daquela época. Depois da trajetória de títulos pelo Palmeiras, atuou por clubes como Cruzeiro, Santos e Internacional. Aposentou-se em 2015 e hoje é empresário do ramo imobiliário. Foto: Oséas Silva/InstagramReserva de luxo daquela equipe, o experiente atacante Evair deixou o Palmeiras em 2000 como um dos maiores artilheiros do clube. Passou ainda pelo rival São Paulo e por clubes como Goiás e Figueirense, antes de se aposentar em 2013. Atuou como empresário e como técnico de equipes como Vila Nova, Itumbiara e River-PI. Segue muito ligado ao clube e esteve presente na final da Libertadores. Foto: Instagram/Evair PaulinoO 'filho do vento' Euller (esquerda) se transferiu para o Vasco após a decisão. Depois, passou pelo futebol japonês e pelo São Caetano, mas foi em três passagens pelo América-MG, clube que o projetou para o futebol, que Euller reforçou sua idolatria. Já no fim da carreira, foi campeão brasileiro da Série C e da Segundona do Mineiro. Aposentado desde 2011, o ex-atacante é técnico do Safor Club, da sétima divisão da Espanha. Por lá, vem fazendo cursos da Uefa para técnicos. Foto: América-MG/DivulgaçãoLuiz Felipe Scolari, o Felipão, dispensa maiores apresentações no futebol brasileiro. Após o projeto vencedor entre 1997 e 2000 pelo Verdão, foi pentacampeão do mundo com a Seleção Brasileira em 2002. Voltaria ao Palmeiras em 2010 e 2018, vencendo a Copa do Brasil de 2012 e o Brasileirão de 2018. Seu último trabalho foi no Cruzeiro, encerrado ainda este ano. Foto: Igor Sales/Cruzeiro
Entalado na garganta
O Palmeiras é uma espinha que não sai da garganta de Cuca. A pessoas próximas, ele admite que a desatenção nos minutos finais custou o título no Maracanã. Uma desatenção que teve a participação do treinador, que se enrolou com Marcos Rocha na linha lateral e acabou expulso. Bateu boca, pulou a mureta e foi assistir aos minutos finais na arquibancada ? contrariando a ordem de ir para o vestiário. De lá, viu Breno Lopes virar herói.
A cicatriz do vice-campeonato virou motivação e estratégia. A busca por não repetir o erro já foi vista no Allianz Parque, onde ajustou a sua marcação para não cair nas armadilhas de Abel Ferreira. Ao mesmo tempo que diminuiu o poder de fogo do Atlético-MG, pouco sofreu defensivamente. Agora, no Mineirão, onde tem apenas uma derrota em toda a temporada, a tendência é soltar mais a equipe, já que precisa vencer.
? Funciona você ter equilíbrio em todos os sentidos. É jogar uma partida sem se pressionar. Nós tomamos um gol jogando em casa durante a Libertadores, do América (de Cali). Cada jogo é uma história. Vamos ver na terça-feira (hoje) o que está guardado ? avaliou Cuca.
Desde a derrota naquela final, Cuca não parou de crescer. Foi campeão mineiro, está na semifinal da Copa do Brasil, a um passo da decisão da Libertadores e é líder isolado do Campeonato Brasileiro. Com o nome já escrito na história do Galo, tem a chance de aumentar a sua idolatria.
Equipe palmeirense comemora no pódio com o troféu após vencer a Copa Libertadores ao derrotar o Santos por 1 a 0. Gol de Breno Lopes garantiu segundo título do Palmeiras no torneio Foto: Guito Moreto / Agência O GloboRaphael Veiga ergue o troféu ao comemorar a conquista da Libertadores com os companheiros de equipe Foto: RICARDO MORAES / Pool via REUTERSOs jogadores do Palmeiras comemoram em torno do troféu após vencer a Copa Libertadores Foto: SILVIA IZQUIERDO / AFPTorcedores do Palmeiras comemoram após vencer a final da Copa Libertadores 2020 contra o Santos, em São Paulo Foto: NELSON ALMEIDA / AFPNo Rio, festa de torcedores palmeirenses na Praça Varnhagen, na Tijuca, Zona Norte da cidade Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Torcedores palmeirenses comemoram vitória na Praça Varnhagen, na Tijuca, Zona Norte do Rio Foto: Brenno Carvalho / Agência O GloboTorcedores vibram com vitória do Palmeiras na Copa Libertadores Foto: Brenno Carvalho / Agência O GloboComemoração alviverde em São Paulo Foto: NELSON ALMEIDA / AFPPalmeiras é bicampeão da América Foto: Guito Moreto / Agência O GloboWeverton, goleiro do Palmeiras, comemora com a filha a conquista da Libertadores Foto: RICARDO MORAES / Pool via REUTERS
Luan comemora com seus filhos a vitória do bicampeonato Foto: RICARDO MORAES / AFPBreno comemora gol que garantiu vitória da equipe Foto: RICARDO MORAES / Pool via REUTERS
Para hoje, aguarda a liberação de Savarino, Keno e Diego Costa ? este com poucas chances de ser utilizado. O trio se recupera de problemas musculares e o Atlético-MG fará mistério até o momento de soltar a lista dos jogadores relacionados.
No Palmeiras, Breno Lopes quer estar iluminado diante de Cuca novamente. No documentário “A Glória Eterna, Alma e Coração?, que conta a história do título alviverde, o atacante, que havia completado 25 anos seis dias antes da histórica final, relembrou o momento em que entrou em campo:
? Quando ele me chamou, eu estava muito distante. O auxiliar dele veio correndo (dizendo) “é Breno, é Breno?. Quando eu chego no Abel, ele fala “hoje vai ser seu segundo gol com a camisa do Palmeiras? ? contou.
No mesmo documentário, o técnico Abel Ferreira relembra a opção pelo jogador na final:
? Todos pediam: Bota o Willian, bota o Willian! E eu lá na minha cabeça que era o Breno que tinha que entrar. Eu queria um ponta direita, e o Willian não é. É um “falso? centroavante. Breno é um ponta.
A história foi feita e Breno entrou para sempre na recordação dos torcedores alviverdes. Mas a concorrência no Allianz Parque não facilitou nem um pouco a situação do jovem mineiro. Atualmente, Breno briga pelas vagas no ataque com os titulares Rony e Wesley. Costuma ser opção junto a Luiz Adriano e o próprio Willian.
Palmeiras completo
No início da temporada, ele ganhou algumas oportunidades como titular, mas sofreu com um lesão no joelho direito em abril.
Os números gerais são bons. Em 23 partidas disputadas (12 como titular), ele tem seis gols marcados. No Brasileirão, a média é de um gol marcado a cada 109 minutos em campo. Na Libertadores, teve um pouco menos de oportunidades e atuou por apenas 131 minutos até o momento. Um personagem que representa o alto nível de competitividade presente nos elencos dos semifinalistas na competição.
Sem desfalques ou suspensos, Abel Ferreira pode escalar força máxima hoje, mas ainda esconde o time.
Com mistérios de lado a lado, a única certeza é que é o Mineirão deve receber 90 minutos eletrizantes para definir o primeiro finalista da Libertadores de 2021.