Tratada como a maior Série B de todos os tempos, pela presença de clubes tradicionais, a principal divisão de acesso do futebol brasileiro não está deixando a desejar nos quesitos emoção e imprevisibilidade. Hoje começa a última rodada do turno e os 10 primeiros colocados têm chances de chegar ao returno entre os quatro primeiros que sobem para a Série A. E nem mesmo o atual líder, o Coritiba, tem lugar assegurado no almejado quarteto.
Com cinco campeões brasileiros na disputa (Botafogo, Coritiba, Cruzeiro, Guarani e Vasco), a briga pelas vagas esquentou e, por ora, segue sem favoritos. O Náutico, que começou como potência, esmaeceu. O líder Coxa e o CRB cresceram na reta final do turno, enquanto Vasco e Botafogo sofrem com a irregularidade na busca pelos quatro primeiros lugares.
Classificação da Série B após 18 rodadas Foto: Editoria de arte
? Tem muita gente boa brigando. A competição está muito parelha. Todo mundo falou que seria a Série B mais disputada. No segundo turno é onde a onça bebe água ? avaliou o técnico Lisca, do Vasco, atual nono colocado.
Num campeonato tão equilibrado, terminar o primeiro turno no G4 é importante. Além da confiança que torcida e atletas adquirem para a etapa final, os números mostram que os times que encerram a 19ª rodada entre os quatro primeiros conseguem a vaga para a primeira divisão em 75% dos casos desde 2016.
Campanha dos quatro primeiros ao fim do primeiro turno Foto: Editoria de arte
Nos últimos cinco campeonatos, dos 20 times que terminaram o primeiro turno dentro do G4, 15 subiram para a Série A. Além disso, somente em uma oportunidade o time que estava no topo da tabela no fim das 19 rodadas não foi o campeão ? o Vasco, em 2016. Na ocasião, o cruz-maltino até conseguiu o acesso, mas na terceira colocação.
Sinal de alerta
Na outra ponta, os clubes que estão dentro ou próximos da zona de rebaixamento também devem manter o alerta aceso. Nos últimos cinco anos, 13 dos 20 times que terminaram o primeiro turno entre os quatro últimos foram rebaixados.
O Cruzeiro, por exemplo, está uma posição acima da zona da degola. Apenas dois pontos separam os mineiros do Londrina. Com isso, uma derrota na próxima rodada, contra o Náutico, nos Aflitos, pode colocar a Raposa dentro do Z4. O desempenho é parecido com o da última temporada: a essa altura, a Raposa estava na 18ª posição com 17 pontos. No entanto, havia começado o campeonato com menos seis, por causa de punição da Fifa. Ou seja, dentro de campo, 2021 está ainda pior.
Volante 'carregador de piano' nos principais títulos vascaínos da época, Nasa deixou o Vasco em 2001. Passou pelo futebol japonês e por América-PE, Icasa, Guarani de Juazeiro e Madureira. Aposentou-se em 2005 e hoje é dono de construtora e empresário do ramo imobiliário em Juazeiro do Norte (CE). Foto: Facebook Projeto Coração Infantil – Sousa/PBO goleiro Helton deixou o Vasco em 2002 rumo ao futebol português. Passou pelo União de Leiria, mas foi no Porto, time para o qual se transferiu em 2005, que viveu os melhores momentos da carreira: ganhou sete títulos portugueses e uma Liga Europa. Em 2016, o goleiro deixou o Estádio do Dragão e sinalizou que encerraria a carreira. Chegou até a assumir como técnico do Freamunde, da terceira divisão portuguesa, dois anos depois. Em 2020, porém, resolveu retomar a carreira nos gramados. Aos 42 anos, o goleiro voltou a atuar pelo União de Leiria. Helton tem diversas passagens pela seleção brasileira e esteve no elenco campeão da Copa América em 2007. Foto: Divulgação/UD LeiriaO lateral-direito Clébson morreu em acidente de carro cinco meses após o título. O jogador de 22 se destacou pelo Bahia e chamou a atenção do Vasco. Foto: Hipólito PereiraApelidado de zagueiro-zagueiro por Vanderlei Luxemburgo, com quem foi campeão da Copa América em 1999 com a Seleção, o irreverente e multicampeãoOdvan teve longa carreira: passou pelos rivais Fluminense, Botafogo e rodou por outros 18 clubes. Em 2008, teve breve retorno ao Vasco, no ano da primeira queda do clube à Série B. Aposentou-se em 2013, aos 40 anos, e vem tentando engatar carreira política no município de Campos dos Goytacazes, sua terra natal. Foto: Cezar LoureiroPolêmico e sem papas na língua, Junior Baiano passou pelo futebol chinês e pelo Internacional antes de chegar ao rival Flamengo, onde foi campeão carioca em 2004. O zagueiro rodou por clubes de menor expressão antes de encerrar a carreira no futebol norte-americano. Fora dos gramados, tentou a carreira de técnico por Santa Helena e Itumbiara, sem muito sucesso. Foto: Divulgação/Itumbiara
Um dos jogadores mais jovens daquela equipe, Jorginho Paulista foi campeão aos 20 anos. O jogador passou por Boca Juniors, Cruzeiro, São Paulo e Botafogo depois de deixar o cruz-maltino. Em 2005, voltaria para breve passagem pela Colina. Na reta final da carreira, rodou por clubes do futebol regional e teve o Audax Rio como sua última equipe, em 2013. Foto: ReproduçãoVolante de segurança daquela equipe, Paulo Miranda teve carreira multi-vitoriosa durante os quase três anos de Vasco. O jogador passou pelo futebol francês, pelo rival Flamengo e foi campeão da Copa do Brasil em 2003, pelo Cruzeiro. Após encerrar a carreira, treinou o Genus, de Rondônia, mas se encontrou no Athletico, clube em que atuou antes de chegar à Colina. Contratado para ser auxiliar na base do Furacão, alçou vôos mais altos: hoje, é gestor técnico do clube. Foto: Reprodução/Youtube/AthleticoCampeão do Mundo em 1994, Jorginho defendeu o Vasco já na reta final de sua carreira. Aposentou-se no Fluminense, em 2001. Como técnico, o ex-lateral-direito teve duas passagens pela Colina: 2015 e 2018. Na primeira, foi campeão carioca de 2016 de forma invicta. Hoje, está sem clube. Foto: Paulo Fernandes / VascoParte do elenco pentacampeão mundial com a Seleção, Juninho Paulista passou pelo rival Flamengo duas vezes, voltou ao Middlesbrough e foi Bola de Prata pelo Palmeiras. Seu último clube seria o Sidney FC, da Austrália, em 2007, dois anos antes de assumir administrativamente o Ituano, clube que o revelou. Em Itu, voltou a atuar em 2010, ajudou a salvar a equipe do rebaixamento e emendou em aposentadoria defnitiva e num trabalho frutífero de dez anos à frente do clube, com direito a título Paulista em 2014. Em 2019, Juninho, então diretor de desenvolvimento da CBF, foi convidado a ser coordenador da Seleção Brasileira, cargo que ocupa até hoje. Foto: Lívia Villas / CBFUm dos maiores ídolos do Vasco, Juninho deixou o clube rumo ao Lyon, da França, em 2001. Por lá, virou lenda e conquistou sete campeonatos franceses seguidos. Após passagem pelo mundo árabe, o 'Reizinho' voltaria ao Vasco em duas oportunidades. Aposentou-se em 2013, aos 39 anos, durante a terceira passagem pela Colina. Juninho atuou como comentarista de TV por alguns anos e, em 2019, assumiu com diretor esportivo do Lyon, cargo que ocupa no momento. Foto: FRANCK FIFE / AFP
Outro queridinho da torcida do Vasco, Pedrinho segue muito próximo ao clube. Após carreira vitoriosa, o cria da base deixou a Colina rumo ao Palmeiras. Passou também por Palmeiras, Santos, Fluminense, pelo mundo árabe e voltou ao Vasco em 2008, no ano da primeira queda. Fez os últimos jogos da carreira pelo Olaria, em 2012, e ganhou jogo de despedida contra o Ajax, em São Januário. Depois de encerrar a carreira multicampeã, foi auxiliar técnico no Cruzeiro e no Tigres do Brasil. Hoje, Pedrinho é comentarista do Grupo Globo e segue envolvido com a política vascaína. Desta lista, é o único que foi reserva em ambas as partidas da decisão ? entrou no decorrer dos jogos. Foto: Reprodução/SportvO 'filho do vento' Euller (esquerda) foi um dos principais companheiros de ataque de Romário na carreira. Após deixar o Vasco, em 2001, passou pelo futebol japonês e pelo São Caetano, mas foi em três passagens pelo América-MG, clube que o projetou para o futebol, que Euller reforçou sua idolatria. Já no fim da carreira, foi campeão brasileiro da Série C e da Segundona do Mineiro. Aposentado desde 2011, o ex-atacante é técnico do Safor Club, da sétima divisão da Espanha. Por lá, vem fazendo cursos da Uefa para técnicos. Foto: América-MG/DivulgaçãoUm dos artilheiros e melhor jogador da competição, o 'baixinho' Romário teve outras duas passagens pelo Vasco, em 2005 e 2007. Na segunda, ganhou estátua em São Januário após marcar o milésimo gol da carreira pelo clube, sobre o Sport. Lenda do futebol, Romário se aposentou em 2009, após atuar pelo América. Hoje em dia, o Baixinho se dedica à carreira política. Foi deputado federal e é atual Senador da República pelo Rio de Janeiro. Foto: Bárbara Lopes / Agência O GloboJoel Santana, o 'Papai Joel', assumiu uma bomba naquele período. Com a responsabilidade de substituir Oswaldo de Oliveira, demitido por atrito com o então presidente Eurico Miranda, o técnico levou a Copa Mercosul de 2000 e a Copa João Havelange, na qual assumiu a partir da semifinal contra o Cruzeiro. Figura icônica do futebol brasileiro, Joel acumula 11 títulos estaduais. Desde os sucesso na Colina, passou novamente por todos os quatro grandes cariocas e esteve à frente da seleção da África do Sul por dois anos antes da Copa do Mundo no país. Seu último clube foi o Black Gold Oil, da quinta divisão dos Estados Unidos. Atualmente, Joel mantém um canal no Youtube. Foto: Bruno Kaiuca / Agência O Globo
? Não é fácil jogar a Série B, é difícil pra c… A gente tem que lutar, a realidade é essa ? desabafou Marcelo Moreno, após empate em 2 a 2 com o Londrina.
Lugar arriscado
Nas últimas cinco edições, a vida não foi fácil para quem chegou à 19ª rodada com apenas 28 pontos, como Botafogo e Vasco na atual disputa. Apenas três times que tinham essa pontuação em 28 rodadas subiram nos últimos cinco anos: Ceará (2017), Avaí (2018) e Juventude (2020), mas em todos essas ocasiões, ocupavam, no máximo, o sexto lugar.
O que deixa a dupla viva pelo sonho é a diferença de apenas cinco pontos do líder para o 10º colocado, o que faz com que todos os 10 primeiros tenham mais de 20% de chances de acesso, segundo o Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais. O Vasco tem 29,4%, enquanto o alvinegro aparece com 26,5%. Todos atrás do Coxa, com 59,6%? mas que nem por isso pode se sentir confortável. Afinal, são candidatos demais para tão poucas vagas.