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Análise: No Fluminense, vitórias para respaldar um modelo



Um clube lutando contra dificuldades, um técnico em busca da implantação de uma forma pouco habitual de entender futebol no Brasil. Para o momento que vivem Fluminense e Fernando Diniz, vitórias servem como uma espécie de validação do modelo, renovam a tolerância, criam um ambiente propício à imposição de um modo de jogar que foge ao lugar comum. Ontem, os 4 a 0 no Madureira deixaram o tricolor virtualmente classificado para a semifinal da Taça Guanabara.

O Fluminense do primeiro tempo foi a imagem fiel de um trabalho em construção, embrionário, com as naturais complicações de ser contracultural ao impor novos comportamentos aos jogadores. Houve momentos de execução muito boa do jogo de aproximações, saída de bola desde a defesa e trocas de passes. Mas também erros que ora decorriam de limitações do time, ora da compreensão do modelo.

Curiosamente, foi pelo alto, em dois escanteios, que o Fluminense achou seus dois primeiros gols, com Matheus Ferraz e Yoni González. O primeiro, aos 15 minutos, veio quando o time nem jogava tão bem. Mascarenhas, autor das duas cobranças, fez ótima partida.

Foi também positivo ver que o time insistiu em realizar a saída de bola pelo chão, com participação do goleiro Rodolfo. Por vezes, a geração de opção de passes ainda demora. Mas houve acertos. Num lance perto do intervalo, Daniel se ofereceu por trás da linha de pressão do Madureira e abriu o campo. Foram pelo menos três momentos em que o Fluminense atravessou de uma área a outra trocando passes.

Há ainda muito a avançar. Luciano tem cada vez mais participação na construção no meio-campo, o que, para um atacante de origem, é uma adaptação a uma função nova. Assim como Bruno Silva, que se habituou a ser mais condutor de bola do que organizador. Sem falar na recomposição defensiva, nem sempre segura.

Mas a vantagem de dois gols fez os espaços se tornarem fartos e o time exercitou seu modelo. Dois gols bem construídos, de Everaldo e Luciano, fecharam a goleada.

Fonte: O Globo


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